Artigo: Consumidora da classe C
Os últimos anos foram marcados pela ascensão da “nova classe média brasileira”, popularmente conhecida como “classe C”, graças ao aquecimento da economia, à geração de empregos formais, à elevação do salário mínimo e à consolidação de políticas públicas e de programas de distribuição e transferência direta de renda aos mais pobres.
A classe C passou a ter acesso a um novo padrão de vida, o que levou à necessidade de segmentação da oferta de bens e serviços por parte da indústria, do comércio e dos bancos para atender esse novo público. Outro ponto interessante marca o cenário: o crescimento da representatividade do sexo feminino nesse mercado consumidor.
Uma pesquisa desenvolvida pelo Data Popular mostra que, em 2014, 58,3% da população brasileira será formada pelo público feminino, número que, hoje, é de 53,9%. Nos últimos cinco anos, a renda das mulheres que integram a classe média nacional teve uma elevação de 25,6%, enquanto a dos homens ficou em 15,1%. Isso não significa que as diferenças salariais entre os gêneros foram vencidas, pois os homens continuam ganhando mais que as mulheres no país. No entanto, a discrepância entre os membros da classe C está reduzindo.
As mulheres, de fato, são as protagonistas do crescimento da nova classe média. Com o aumento de seu poder de consumo, dois são os focos principais de seus investimentos: educação e a própria aparência. O levantamento traz dados que comprovam tal fato. A escolaridade do público feminino no nível superior ou acima cresceu 65% entre 2004 e 2009. De2002 a 2010, 66,4% das universitárias do Brasil passaram a ser mulheres da classe C.
Os números são provas de que essas mulheres buscam firmemente sua independência financeira e, para isso, estão dispostas a dedicar parte de sua renda aos estudos. No que diz respeito aos cosméticos, os gastos das mulheres da classe C saltaram de R$ 6 bilhões em 2002 para R$ 19,7 bilhões em 2010, enquanto as compras das mulheres da classe A passaram de R$12,2 bilhões para R$ 15,8 bilhões —R$ 3,9 bilhões a menos. Os sonhos de consumo também aumentaram. Se antes elas almejavam adquirir um computador, um apartamento e um automóvel, hoje querem ter seu próprio negócio, viajar mais, entre outras ambições.
Para dar conta dessas mudanças e desejos, as empresas, os bancos e o mercado de crédito de maneira geral estão aprendendo a conhecer, a se dirigir e a se relacionar com essa consumidora, 70% delas responsáveis pela decisão de compra nos lares. Um aspecto importante, por exemplo, é o fato de que as mulheres da classe C querem ter informações sobre o custo-benefício dos produtos, pois somente o preço não constitui o fator mais determinante em sua escolha.
Em suma, a mulher da classe C trabalha muito, estuda mais, viaja, deseja ter seu carro e seu imóvel, mas quer e luta também para ter uma casa na praia, adquirir cosméticos e outros produtos de primeira linha, entre outros desejos. Além disso, merece atenção por parte da indústria e do mercado financeiro por ser a pessoa geralmente responsável pela administração dos gastos domésticos. É tempo de voltar os olhos para essas grandes — e promissoras — consumidoras brasileiras.
Por Aquiles Leonardo Diniz - Vice-presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi)
Publicado originalmente em 14/06/2012, no Jornal Estado de Minas
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